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Jogos – por que isso nos fascina?

As pessoas sempre gostaram de jogar por dinheiro. Todos os anos, mais de 40 milhões de pessoas visitam Las Vegas. O jogo existe desde a era romana, talvez até antes. Mas o que é esse fenômeno que é tão atraente para nós? Neste artigo, o primeiro de três, vamos dar uma olhada nos mecanismos psicológicos que nos fazem retornar às mesas de jogo.

Uma breve história dos jogos

Como mencionado, o jogo não é um fenômeno novo. Há informações que o primeiro dado (cubo com números, usados em jogos) surgiu por volta de 3000 anos aC. Foi encontrado no que hoje conhecemos como Iraque e era feito de marfim, madeira ou cerâmica. Os romanos inventaram um jogo de dados sobre uma placa de pedra – o que chamamos de gamão.

Além disso, jogos de tabuleiro foram encontrados em tribunais, templos e casas de banho que remontam ao Império Romano. Portanto, as evidências sugerem que já nessa época as pessoas jogavam ativamente.

Na China antiga, 2300 anos aC, o jogo também era comum. As loterias e cartas eram populares e, particularmente, os jogos de cartas acabaram se espalhando pela Europa no século XIV. Aqui, eles também ganharam enorme popularidade.

O primeiro cassino do mundo foi aberto em Veneza em 1638, quando o governo, depois de perceber a popularidade dos jogos, decidiu ganhar um dinheirinho a partir dele. O cassino se chamava Il Ridotto Pubblico, e os negociantes das apostas usavam perucas e capas pretas, enquanto os convidados usavam máscaras para garantir o anonimato.

No século 18, o jogo ganhou grande popularidade na Alemanha e no norte da Europa também. Nesses lugares, o blackjack era a grande moda. O jogo também era comum nos EUA, mas aqui o pôquer era o jogo preferido. Em 1905, Las Vegas já havia se estabelecido como a capital mundial do jogo e ficou claro para todos que o jogo chegou ali para ficar.

Jogos liberam adrenalina em seu cérebro

Hoje é mais fácil do que nunca poder jogar sem sair de casa. Com a internet, uma onda de cassinos e bingos online surgiu e as apostas se tornaram comuns entre pessoas de todas as origens. Loteria, jogos de raspadinha, pôquer, caça-níqueis, cassinos e apostas esportivas – você tem isso tudo nos cassinos online de hoje.

Por que é tão emocionante apostar dinheiro?

Você provavelmente conhece o sentimento: você supôs fazer uma aposta ou duas, mas uma vez que você começou, a adrenalina começou a fluir, então você continua apostando. Isso é normal. Uma vez que você ganha uma aposta, ela ativa o sistema límbico do seu cérebro. É aqui que obtemos o senso de recompensa – e onde está nossa necessidade de comida e sexo. Quando você satisfaz suas necessidades, libera dopamina, que lhe dá uma sensação de prazer, da mesma forma que acontece quando comemos se estamos com fome.

As razões psicológicas por trás do jogo

O fato de que a dopamina é liberada em seu cérebro é a explicação fisiológica de por que você gosta de apostar dinheiro. Falaremos mais a respeito disso no próximo artigo da nossa série. No entanto, nós, seres humanos, somos um grupo complicado e, claro, há mais nuances, razões psicológicas por que gostamos de jogar – mesmo se perdermos mais do que ganhamos.

O cientista britânico Mark D. Griffith apresentou uma série de razões que explicam nossa atração pelo jogo. Os fatores motivacionais, como ele diz, giram em torno de mecanismos psicológicos. E, de acordo com Griffith, surpreendentemente, a razão mais importante para o jogo não é o nosso desejo de ganhar dinheiro (embora, é claro, isso varie de pessoa para pessoa).

Primeiro, Griffith conclui que o jogo preferido das pessoas depende da idade delas. As pessoas mais velhas geralmente preferem jogos mais simples, como bingo ou caça-níqueis, enquanto os mais jovens são atraídos por jogos mais complexos.

Os homens preferem os chamados jogos de habilidade, como o pôquer, enquanto as mulheres, de acordo com Griffith, preferem jogos mais simples, porque não gostam que os outros as vejam perder!

Nas loterias, você pode não conseguir ganhar tanto quanto no pôquer ou nas apostas esportivas, mas as loterias são populares porque você pode ganhar rapidamente e só precisa apostar uma pequena quantia.

As pessoas que preferem a roleta ou apostar no futebol normalmente encontram prazer no jogo e no próprio processo. E é aí que as motivações mais subconscientes entram em jogo, escreve Griffith.

Nós gostamos de exibir

As pessoas se divertem mostrando suas habilidades no jogo aos outros e se gabando sobre como elas são boas nisso. É por isso que o pôquer atrai tantas pessoas, porque para ganhar você precisa desenvolver suas habilidades.

Benedicte Ejlers, diretor do setor de Prevenção e Comunicação do Centro de Viciados em Jogos da Dinamarca, explica no site, que muitos começam a jogar pôquer ou apostam em esportes porque há prestígio em ganhar dinheiro. Além disso, os jogos exigem algum conhecimento e você pode melhorar suas habilidades, o que significa que elas podem ser uma maneira de conseguir reconhecimento.

No entanto, a nossa tendência de nos orgulharmos do que somos bons pode trabalhar contra nós, por exemplo, quando jogamos pôquer: aqui, um dos segredos é, obviamente, manter a cara séria e o(s) jogador(es) adversário(s) adivinhar.

Mas nosso instinto de orgulho pode tornar mais difícil para nós escondermos quando estamos jogando com boas cartas na mão. Isso pode eventualmente levar a um jogador a perder uma aposta, que estaria ganha. Estes jogadores são conhecidos como “informantes”.

Vício em jogo

Ao olhar para a psicologia dos jogos, não podemos deixar de falar de seu efeito mais nocivo: o vício em jogo. Competir e procurar emoções faz parte da natureza humana, mas para algumas pessoas a busca por excitação se torna uma compulsão.

Vamos tratar isso mais detalhadamente em nosso próximo artigo desta série. Por enquanto, vamos ver o que acontece psicologicamente quando as pessoas desenvolvem um vício em jogo.

No Brasil as apotas chegam a movimentar cerca de 34,1 bilhões de reais por ano. A maioria das pessoas que desenvolvem o vício são homens mais jovens, e quanto mais cedo começam a jogar, maior é o risco de desenvolver o vício.

Não há muita pesquisa sobre por que algumas pessoas se tornam dependentes e outras não. Mas, basicamente, o vício em jogos geralmente carrega os mesmos sintomas de outros vícios, como drogas ou álcool.

Sintomas do vício em jogos

“Vício compulsivo em jogos” é o termo médico para o vício em jogo. O vício geralmente se desenvolve como uma maneira de lidar com emoções negativas ou de escapar de situações difíceis, como ansiedade, culpa, depressão ou uma crise na vida.

Para escapar desses sentimentos, alguns se voltam para o jogo, e é por isso que ele pode ser comparado ao uso de substâncias entorpecentes ou vícios.

Um transtorno do jogo compulsivo geralmente começa quando um jogador começa a perder. Enquanto você está ganhando, você está se divertindo. Mas no minuto em que se perde, torna-se difícil para alguns enfrentar a derrota e parar de jogar, porque neste momento as emoções negativas, que haviam desaparecido, retornam.

Um jogador sem vícios vê o jogo como uma diversão e recreação e não terá o mesmo problema de sair de um jogo depois de começar a perder. Eles vêem um cassino como uma forma de entretenimento por um período fixo de tempo e, quando saem, vivem suas vidas normalmente.

Se você suspeitar que você, ou alguém que você conhece, esteja sofrendo com o vício em jogos, fique ciente dos seguintes sintomas:

  • Jogo frequente
  • Encontra difículdades em parar de jogar
  • Tenta compensar as perdas jogando ainda mais
  • Negligência a vida social e relacionamentos íntimos para poder em vez disso jogar
  • Gasta muito tempo planejando intensamente ou pensando em jogos (táticas, planejamento de quando jogar etc.)
  • Esconde, minimiza ou mente sobre o seu jogo
  • Adquire problemas financeiros ou dívidas devido ao jogo
  • Tenta de forma legal ou ilegal arrecadar dinheiro para jogar
  • Apresenta alterações de personalidade (inquietude, irritação, isolamento social etc.) devido ao jogo.
  • Desenvolve doenças mentais adicionais (depressão, pensamentos suicidas, uso de outras substâncias, etc.)

A adrenalina

Naturalmente, é possível ter um ou mais sintomas sem necessariamente sofrer de um vício. Afinal, o jogo oferece emoção a quase todos que jogam, e é possível ficar tão envolvido em seu hobby por um curto período de tempo, que você esquece a maioria das outras coisas.

Em um estudo norueguês entre os jovens, uma estudante respondeu que gosta de jogar porque “isso me faz capaz de entrar em um outro mundo desprovido de responsabilidade e consequências”. É claro, o jogo não é sem consequências se você jogar por grandes somas de dinheiro.

É por isso que o jogo deve ser levado muito a sério. O dinamarquês especialista em jogo Steffen Dam, que em 2016 publicou o livro ‘Sådan vinder du på oddset’ (Como vencer em apostas esportivas), é um daqueles que querem mudar a idéia estereotipada de que as pessoas que jogam muito sofrem de um vício.

“Aposta esportiva é um assunto sério e precisa ser tratado dessa maneira. Isso não é absolutamente um jogo de azar. Eu quero mudar o mito de que todos no mundo do jogo são viciados que sempre acabam perdendo. O jogo é uma questão de investimento em que você pode ganhar dinheiro da mesma forma que pode fazer no mercado de ações ”, afirmou anteriormente à revista dinamarquesa Euroman e continuou:

“Você tem que ser capaz de se controlar a todo momento e sempre jogar racionalmente ao invés de emocionalmente. E isso leva tempo. Aposta esportiva é uma maratona; e não uma simples corrida. Mas eu estaria mentindo se dissesse que isso não lhe dá uma descarga de adrenalina.

Nós apostaríamos se o dinheiro não estivesse envolvido?

Sim, mesmo sem dinheiro o jogo ainda é envolvente. É uma maneira divertida, excitante e entretida de passar seu tempo – contanto que você não exagere.

Um leitor da Copenhagen Business School, Ole Bjerg, apresentou uma perspectiva interessante sobre o jogo como algo intimamente ligado ao capitalismo, quando tentou explicar que isso é enormente atrativo para nós.

 “Porque estamos tão acostumados a medir nosso próprio valor através do dinheiro, o jogo e o capitalismo andam de mãos dadas”, afirmou Ole Bjerg e continuou: “O dinheiro tornou-se um ponto de navegação em nossa sociedade. Poderia existir apostas em uma sociedade sem dinheiro? Talvez não.”

A professora de cultura de mídia da Universidade de Copenhague, Anne Jerslev, acredita que o jogo está intimamente relacionado à nossa cultura de mídia. Por causa das enormes quantias de dinheiro envolvidas, digamos por exemplo o pôquer, torna-se glamouroso e uma sensação de status de celebridade começa a ser atribuída ao jogo.

Jogadores de pôquer conhecidos são admirados porque têm habilidades únicas – eles se tornaram celebridades. É por isso que a mídia desempenha um papel significativo em nossa atração psicológica para o jogo, de acordo com Anne Jerslev.

O impulso psicológico está profundamente enraizado em nós

É claro que as casas de apostas e os cassinos jogam com o desejo das pessoas de apostar. Além das muitas ofertas de rodadas grátis e bonificações, eles gastam muito esforço tentando tirar proveito da psicologia humana.

As salas de bingo por exemplo, projetam seus sites para refletir o quanto um jogo de bingo caseiro pode ser aconchegante. Ou cassinos on-line que fazem de tudo para criar cassinos ao vivo que lhe dão a sensação de entrar em um cassino físico com toda a emoção, glamour e mistério que o cercam.

Se você está jogando para ficar rico, para aproveitar uma noite de diversão inofensiva ou se está se esforçando para se tornar o melhor jogador de pôquer do mundo, uma coisa é certa: há uma motivação psicológica por trás de seu desejo de jogar. É profundamente enraizado nos seres humanos a perseguição da vitória e se sentir entusiasmo quando a consegue.

O jogo tem uma longa e emocionante história. E enquanto você mantiver um relacionamento saudável com ele, você não precisa refletir muito sobre o motivo pelo qual gosta de jogar. Quando as fichas estão em jogo, nós humanos não mudamos muito desde de quando os antigos romanos jogavam seus dados de marfim.